
O senhor elegeu-se vereador na sua cidade, Bagé, muito cedo. Como é para um jovem romper o preconceito, disputar e vencer uma eleição?
Realmente, no meu primeiro mandato eu tinha vinte e poucos anos. É difícil fazer com que as pessoas acreditassem que um jovem tinha alguma chance de eleição. Mas eu tinha a moçada ao meu lado, me elegi com o compromisso de lutar para que a política do meu município fosse mais séria e ética e a Juventude me fez vereador e, depois, deputado.
E conseguiu cumprir as promessas depois de eleito?
Claro que sim. E o movimento estudantil teve um papel fundamental nesse processo. Reuni a UBES (União Bageense de Estudantes Secundaristas) e o DCE da URCAMP e iniciamos um movimento de combate aos altos salários dos políticos em Bagé. Fizemos passeatas, manifestos e quando apresentei o projeto na Câmara de Vereadores foi o movimento quem foi para o plenário garantir que a lei fosse aprovada.
E na Assembléia, como foi chegar ainda novo e no papel de oposição?
Foi uma experiência maravilhosa. O governo que se elegeu na época prometeu mundos e fundos, nosso papel era de cobrar o cumprimento das promessas. Participei de atividades importantes naquele período e o fato de ser jovem e contar com o apoio da Juventude foi fundamental. Lembro bem das manifestações pela saída da Ford de Guaíba e do movimento Sinal de Alerta, onde toda a sociedade gaúcha se mobilizou para um grito contra a violência.
Pode citar alguns momentos marcantes do primeiro mandato?
Tenho vários, mas em especial guardo um grande orgulho. Fui o autor da emenda no PPA (Plano Plurianual) do governo, que permitiu a criação da UERGS (Universidade Estadual). O governador prometeu isso na campanha e na hora de montar o plano de trabalho para a gestão não incluiu esse tema. Naquele momento, o Movimento Educação e Trabalho teve participação decisiva, me auxiliando na montagem da emenda que garantiu a criação da nossa UERGS.
Depois o senhor foi Secretário de Turismo do Estado, conte um pouco dessa experiência?
Foi um grande desafio, nosso Estado não tinha nenhuma projeção nacional. Somos o único estado do País com infraestrutura e clima europeu. As pessoas pagavam milhões para atravessar o Atlântico para conhecer coisas que é só subir a BR-116 e ver que nós temos aqui e ninguém no Brasil sabia. Colocamos o Rio Grande e as suas belezas no cenário nacional. A minissérie A Casa das Sete Mulheres foi uma de muitas produções nacionais feitas aqui, o que fez nosso turismo aumentar muito. Também tenho bastante satisfação em ver no que se transformou nossa Semana Farroupilha após a criação do desfile temático. Hoje é mais um belo evento de proporções nacionais, que exalta nossa cultura, nossa tradição e ainda de quebra movimenta a economia.
Para finalizar, agora o desafio é a pré-candidatura ao governo do Estado. O que a Juventude pode esperar de uma candidato tão novo?
Olha, essa pré-candidatura é fruto da necessidade que eu sinto nas ruas de mudarmos a cara da política em nosso Estado e até mesmo no país. Eu quero tentar fazer as pessoas enxergarem que é preciso fazer política de maneira diferente. Não dá mais pra ficar assistindo os candidatos se matando na TV, ao invés de fazer força para que as coisas dêem certo. Eu quero um governo que una todo mundo no que é melhor para o nosso Estado. Quero políticas que cuidem de dar a primeira oportunidade de emprego para quem está saindo da adolescência e precisa começar a ajudar em casa. É preciso que a Juventude tenha condições de acessar a Universidade ou o ensino técnico para ter uma formação adequada. Temos que combater as drogas e a gravidez precoce com muita informação. Nossa moçada precisa ter acesso à cultura de qualidade a preços mais acessíveis. Enfim, quero fazer um governo junto com a gurizada. A Uges, a Uee, os Grêmios e os DCE´s vão ser fundamentais nisso. São vocês que nos ajudarão a construir esse novo momento.
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